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    Escada

A Escada que só desce

Fernando Fonseca


A cada dia aumenta minha convicção de que a vida sempre tenta nos ensinar algo de novo, em qualquer lugar e através de qualquer pessoa. Você já se perguntou se está se mantendo aberto a estes novos ensinamentos? Em uma das situações de aprendizado mais interessantes de minha vida, o transmissor do conhecimento foi um técnico mecânico que concertava as escadas rolantes do aeroporto de Confins (Belo Horizonte). Sem querer ele me levou a refletir sobre algo muito maior do que a experiência que ele compartilhou comigo.

Eu acabara de sair do guichê da companhia aérea e me encaminhava para o embarque no segundo andar quando percebi que a os técnicos estavam concertando a escada que subia, enquanto a escada que descia continuava descendo vazia, uma vez que poucas pessoas voltam do andar de embarque. Ao ver aquela cena, a porção arrogante do meu ser já foi logo gritando: Esses caras não se importam com os passageiros, porque não inverteram a outra escada?

Dirigi-me à rampa em formato caracol do aeroporto para arrastar minha mala até o segundo andar e segui maldizendo os pobres trabalhadores até que em algum momento a porção sensata de meu ser tomou controle da situação e soprou em meu cérebro: Será que eles são assim tão despreocupados como você imagina? Será que você é tão inteligente que só de olhar pensa o que as pessoas em anos de trabalho nunca pensaram? Pergunte para eles e livre-se de vez dessa dúvida.

Quando me dei conta estava de frente para os técnicos, pronto para aprender algo ou dar uma lição de cidadania àqueles seres que aparentemente não se importavam com o bem estar coletivo. Perguntei ao mais velho, com toda educação, porque eles não invertiam a outra escada, e ele prontamente me respondeu de forma esclarecedora:

- Não dá

Após algum silêncio, eu ainda dei mais uma chance ao homem e perguntei:

- Por que?

- Porque essas escadas são antigas, e sempre rodaram na mesma direção. Todas as engrenagens gastaram-se só de um lado, e se a colocarmos para rodar ao contrário elas vão travar e quebrar. As escadas tinham que ter sido invertidas de tempos em tempos.

Satisfeito com a resposta, agradeci e sai pensando sobre como somos arrogantes vez em quando. Eu e metade do aeroporto olhamos com cara feia para a escada que descia e praguejamos alguma coisa. Imaginávamos que se tratava de uma falta de respeito da parte de quem não mandou inverter a escada, mas no fundo todos nós ignorávamos uma realidade muito mais complexa do que nossa pretensão nos permitia ver. Imediatamente passei a pensar sobre o efeito desse tipo de comportamento em nossa vida profissional e sobre as lições que deixamos de aprender todos os dias.

Atuando como instrutor e professor há mais de 20 anos, aprendi a aprender sempre com a experiência dos alunos e outras pessoas que cruzam meu caminho. Ao me deparar com uma situação em que julgara muito prematuramente outro profissional eu passei a pensar em como as pessoas que acham que sabem tudo deixam de aprender ao não ouvir as demais. Já encontrei colegas, alunos e professores com este comportamento, e posso lhes dizer sem medo de errar que se eles evoluem, o fazem em um ritmo muito inferior ao que teriam se ouvissem mais e perguntassem mais.

Quando deixamos e perguntar, ou de considerar as posições antagônicas às nossas abdicamos espontaneamente das virtudes que nos levam ao conhecimento e assumirmos a posição de “sabe tudo”. Nos tornamos os detentores da verdade, que não acreditam que outras pessoas possam ter algo a ensinar a nós, profissionais experientes e renomados.

No status de senhor do conhecimento, passamos então a não mais aprender e somente nos ocupamos em melhora os argumentos para defender nossas posições e impor nossas opiniões. Aos poucos, os indivíduos que permitem que seu orgulho os levem por este caminho se assemelham cada vez mais à escada que só desce, despejando sua suposta sabedoria suprema em sentido único, sem espaço para questionamentos sobre seus dogmas e sem aprender algo de novo. É esse comportamento perigoso e limitador que inutiliza suas engrenagens e aos poucos os aleija, fazendo com que novos conhecimentos não “subam” até seu pedestal.

O importante é deixar que a porção sensata de seu ser vença as batalhas contra sua porção arrogante e lhe garanta humildade necessária para aprender sempre. Trata-se da vitória do crescimento pessoal e profissional contra a estagnação, limitação e arrogância. Ao final, sempre sabe mais quem só sabe que nada sabe.

Fernando Fonseca é diretor de ensino da Antebellum Capacitação Profissional


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